Quinta-feira eu assisti um filme inspirado em uma história real sobre suicídio assistido e a luta de um médico para aprovar o direito de pessoas com doenças terminais morrerem com dignidade.

 

you don

 

Coincidência ou não hoje chegou a minha TL no Facebook, compartilhada em um grupo que faço parte, um vídeo de uma pessoa cometendo o suicídio assistido num canal de TV na Suiça.

Não consegui conter as lágrimas, não por ver uma pessoa morrer, nem por ver uma pessoa cometer suicídio, muito menos por sentir que talvez fosse desespero. Eu simplesmente chorei.

Me senti muito pequena diante de tudo o que existe aos meus olhos, por muitas vezes pensei em simplesmente pendurar uma corda na sacada, enrolar em meu pescoço e pular, ou até arrumar um arma e puxar o gatilho enquanto aponto em minha cabeça, mas todas as vezes que pensei nesse fim o que mais me passava em mente não era o que aconteceria após a minha morte a mim, se haveria uma “vida” espiritual, se eu veria meus pais que já se foram, se eu realmente conheceria a face de um D’us ou vários deuses.

O que mais me passava era uma maneira que meu corpo não fosse um fardo as pessoas que eu deixaria aqui, pensei que o tiro daria trabalho na limpeza do local onde eu faria, pular da sacada traria um transtorno a quem tivesse que me descer dali.

Por agora, eu sinto e vejo que o meu choro não foi nada além de vontade embarcar num sono profundo, pois eu também amo dormir, eu amo a sensação de simplesmente ir desaparecendo em meus pensamentos e visões distorcidas enquanto luto para não fechar os olhos, e o choro também talvez fosse com um pouco de alegria ao ver o quanto foi serena essa partida e desejar que o dia em que minha hora chegar, o dia que eu tiver de partir, que seja de uma forma limpa e honesta.

Além disso, que minha partida seja com o mesmo carinho que vi nessa despedida.

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3 responses to “

  1. A morte é a única certeza que todos temos na vida. Em certo sentido, podemos dizer que “nascemos para morrer”. Eu penso que, se a morte é certa, eu não preciso apressá-la. O que eu preciso é decidir o que fazer com a minha vida. Como eu sou religioso, vou usar uma linguagem religiosa: eu acho que, se a minha vida for uma bênção para as pessoas, a minha morte não será um fardo, embora possa deixar saudades. Dito de outra forma, se eu tiver vivido de forma a ser amigo e solidário com as pessoas e colaborado para que a vida de todos seja um pouco mais alegre e legal de ser vivida, as pessoas poderão até chorar por mim e lamentar a minha perda, mas a memória que terão sobre mim será sempre de coisas boas. Pode até parecer meio egoísta o que estou dizendo, mas o fato é que eu sempre acreditei que vale a pena ser bom e fazer o bem e trabalhar por uma cultura do bem e que esse mundo só será bom se todos pensarem desse modo. Por isso, eu tento, todos os dias, convencer as pessoas a serem boas. E eu acho que, numa cultura de pessoas boas, não há espaço para infelicidade ou vontade de morrer. Apesar disso, a morte vai chegar de qualquer jeito, mas ela vai ser mais suave e aceita com carinho.

  2. Reblogged this on Pensamento e Liberdade and commented:
    A morte nos espreita, mas o que fazemos para esperá-la?

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